quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Por que deveria ser?


Eric Rohmer, still de Ma nuit chez Maud, 1969



Sobre qualquer excessivo zelo



Sobre qualquer excessivo zelo posto na política em termos estritos, o depoimento corajoso do cineasta Éric Rohmer, ainda na década de 80:

Atualmente, sou bem indiferente à política – ao menos tomando-a em seu sentido estrito – mas não mudei. Não sei se sou de direita, mas, de qualquer modo, o que é seguro é que não sou de esquerda. Sim, por que teria de ser de esquerda? Por qual motivo? O que me obriga a isso? Sou livre, suponho. Sem embargo, as pessoas não o são. Hoje, primeiro há que se fazer um ato de fé na esquerda, depois do qual tudo é permitido. Que eu saiba, a esquerda não detém o monopólio da verdade e da justiça. Eu também sou partidário – quem não o é? – da paz, da liberdade, da extinção da pobreza, do respeito às minorias. Porém não chamo a isso ser de esquerda. Ser de esquerda é aprovar a política de alguns homens, partidos ou regimes precisos que assim se denominam, o qual não os impede praticar o terrorismo, o militarismo, o belicismo, o racismo, o colonialismo, o genocídio. Por outra parte, equivoco-me ao seguir falando disso. Todo mundo sabe que essas velhas categorias de direita e esquerda já não significam nada hoje – se é que alguma vez tenham significado algo – ao menos na França, entre intelectuais.


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